A pandemia do novo coronavírus trouxe inúmeras incertezas com relação ao futuro das viagens. O congelamento da circulação de pessoas, necessário para conter o avanço da doença, atingiu em cheio o setor, que viu seu faturamento reduzido em mais de 1 trilhão de reais só entre janeiro e abril desde ano, de acordo com estimativas da Organização Mundial do Turismo (OMT).

Nesse período, as empresas do chamado trade turístico tiveram que se adaptar para atender às novas exigências dos consumidores e conseguir sobreviver. Muitas delas, anteciparam tendências que já estavam em curso, mas que ainda levariam um tempo para estarem 100% inseridas na rotina dos viajantes.

Confira aqui algumas das principais para o “novo normal” das viagens, de acordo com especialistas.

1. Check-In sem contato

person checking in at the airport 3943950 1024x682 - Novos protocolos de embarque, experiências on-line e outras tendências do "novo turismo"

O check-In eletrônico, feito através de dispositivos celulares ou totens instalados nos aeroportos, há tempos deixou de ser uma novidade no setor de aviação. Agora, com a pandemia do novo coronavírus, essa experiência passa a ser ainda mais digital e pessoal.

Selfie check-in é o nome da tecnologia que usa algoritmos para reconhecer o rosto dos passageiros e gerar automaticamente um cartão de embarque eletrônico, disponível direto no celular do cliente.

O recurso, embora disponibilizado antes da pandemia aos clientes em voos nacionais da companhia Gol, evita que o passageiro tenha de pegar filas para realizar o procedimento no balcão da empresa, já que ele só precisa sacar o celular, abrir o app e fazer uma selfie – diminuindo assim, o risco de contaminação no aeroporto.

A American Airlines também implementou a experiência sem contato em mais de 230 aeroportos pelo mundo. Na companhia americana, ao chegar ao aeroporto, o cliente digitaliza o cartão de embarque impresso ou do celular em um quiosque de check-in, sem precisar tocar na tela. Caso queira despachar bagagens, o passageiro deve indicar a quantidade no próprio aplicativo da companhia e, após digitalizar o cartão, as etiquetas são impressas automaticamente. 

Realidade aumentada na hora de embarcar

A aviação nunca conseguiu que as pessoas deixassem de se amontoar em frente ao portão de embarque. E em tempos de pandemia, sabemos o risco que isso representa.

Para aplacar esse problema, a Azul lançou em junho deste ano, no aeroporto Afonso Pena, na região metropolitana de Curitiba, um sistema que utiliza realidade aumentada para indicar aos passageiros quando é hora de embarcar.

Funciona assim: monitores indicam quando é hora do passageiro seguir para a fila, de acordo com o número do assento. Enquanto isso, projetores afixados no teto criam uma espécie de tapete no chão, que indica onde o passageiro deve se posicionar e em que momento deve dar um passo à frente. O sistema está programado para que os passageiros fiquem a quatro metros de distância um do outro.

2. Experiências online

O isolamento social imposto pela pandemia trouxe novos hábitos para nosso dia a dia. É o caso do trabalho remoto, da educação à distancia e a digitalização acelerada das empresas. Com essa migração quase que integral das nossas vidas para o mundo on-line, é natural que surgissem novas possibilidades quando o assunto é viver novas experiências.

Foi essa tendência que fez surgir serviços como o Airbnb Experiências on-line, que oferece aos usuários uma série de atividades que vão desde cozinhar com chefes renomados, aprender técnicas de fotografia, aulas de artes, esportes e até como fazer mágica. Tudo direto do conforto da sua casa.

Segundo Leonardo Tristão, diretor-geral da empresa na America do Sul, em entrevista concedida ao portal OUL, o produto surgiu por sugestão da própria comunidade de anfitriões. Num contexto em que o número de viajantes caiu significamente em razão da pandemia.

Ainda segundo Leonardo, mesmo em países onde o confinamento já passou, muitas pessoas continuam participando dessas experiências, indicando que elas vieram para ficar.

3. Viagens mais curtas

person wearing beige sweater holding map inside vehicle 1252500 1024x633 - Novos protocolos de embarque, experiências on-line e outras tendências do "novo turismo"

É quase consenso entre os especialistas da área que a retomada das viagens deverá ocorrer primeiro em âmbito nacional. Inicialmente, com viagens domésticas para destinos que estejam num raio de no máximo 300km de distância; e em seguida, para outros estados.

Além do receio de viajar para destinos mais distantes, outros fatores como o comprometimento da renda das famílias em razão da suspensão de contratos de trabalho e/ou redução salarial, alta taxa de desemprego (que inviabiliza a realização de viagens) e a crise financeira agravada pela pandemia, são fatores que fortalecem essa tendência.

De acordo com um estudo da Deloitte, a recuperação do turismo será gradual e só voltará ao estágio anterior, por volta de janeiro/2021. Isso claro, considerando um cenário onde a pandemia esteja controlada e o turista se sinta mais confortável para viajar.

4. É hora de reconectar-se

man and woman sitting on hanging chair by a tree 1319829 1024x682 - Novos protocolos de embarque, experiências on-line e outras tendências do "novo turismo"

Além das viagens inicialmente mais curtas, no primeiro momento pós pandemia, “ganham destaques os destinos sem turismo massivo, atrativos e atividades exclusivos ou para pequenos grupos e pequenos hotéis”, é o que diz o documento Turismo pós-pandemia: insights para empresas e destinos, publicado pela consultora e especialista Marta Poggi, em parceria com o SEBRAE.

Nesse novo contexto, depois de vários meses isolados em casa, atividades ao ar livre e em contato com a natureza ganham novo sentido e valorização. O Turismo Rural, de Aventura, Ecoturismo e Bem Estar são os que estarão em alta, de acordo com a OMT.

5. Digitalização do turismo

Estamos todos acostumados com compras on-line. E já algum tempo, utilizamos plataformas como Booking, AirBnb, TripAdvisor, Levarti e o próprio site das companhias aéreas para reservarmos praticamente todos os serviços que necessitamos em uma viagem.

Agora, essa hábito deve crescer ainda mais. De acordo com uma pesquisa realizada pela NZN Intelligence, com mais de 1,7 mil entrevistados, 71% dos brasileiros afirmam que pretendem aumentar o volume de compras on-line no pós-pandemia.

Isso significa que prestadores de serviços turísticos terão que se adaptar para atender a esse novo público, aumentando sua presença digital através de e-commerce, blogs, redes sociais e outras ferramentas que facilitem a interação entre potenciais clientes e as marcas.

6. Limpeza reforçada

A limpeza é uma das maiores preocupações de todos durante esse período de pandemia, e por isso, mudanças nos protocolos de higienização serão cada vez mais relevantes.

As aeronaves passarão por processos de desinfecção mais rigorosos, que vão desde a utilização de desinfetantes em cada pequena parte do avião até jatos de spray eletrostático. Hotéis e pousadas terão que atender com capacidade reduzida e adotar novas medidas na hora de higienizar os quartos. O café da manhã passa a ser dentro do quarto. Nos cruzeiros, funcionários passarão a usar luvas em tempo integral, trocadas com frequência, além de intensificarem a limpeza dos quartos.