A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) reduziu de 3,7% para 3,5% a expectativa de crescimento do volume de receitas dos serviços, em 2021. Especificamente com relação ao Turismo, a tendência é que o faturamento real do setor encolha 9,7% neste ano, com perspectiva de volta ao nível pré-pandemia somente no segundo trimestre de 2023, segundo a CNC.

A estimativa tem como base os dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de dezembro do ano passado, divulgada hoje pelo IBGE.

Retrações batem recorde

De acordo com a PMS, o volume de receitas do setor de serviços encolheu 7,6% em 2020, na comparação com o ano anterior. O resultado foi o pior para o setor desde o início da pesquisa, em 2012. Até então, a maior queda na geração de receitas havia sido em 2015 (–5,0%).

O segmento de Turismo, um dos mais afetados pelas restrições impostas pela pandemia, também registrou queda histórica no último ano, recuando 36,7%, em comparação com 2019.

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Fonte: CNC

As quedas mais expressivas no ano passado foram dos serviços de alimentação e alojamento prestados às famílias (–36,8%) e transporte aéreo (–36,9%), segmentos fortemente impactados pela adoção do isolamento social durante a pandemia de Covid–19.

A contração da demanda se refletiu no comportamento dos preços. Para um IPCA de +4,5% em 2020, os serviços de hospedagem recuaram –8,1%. Já o preço médio das passagens aéreas variou –17,2% no mesmo período – comportamento que se refletiu com a queda no fluxo de aeronaves nos aeroportos do país desde o início da pandemia. Mesmo com a gradual recuperação ao longo de 2020, houve queda de 30,7% na quantidade de voos confirmados.

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Fonte: FR24

De acordo com a CNC, em 11 meses (de março de 2020 a janeiro de 2021), o Turismo brasileiro perdeu mais de R$ 274 bilhões. Sendo que São Paulo (R$ 99,18 bilhões) e Rio de Janeiro (R$ 42,50 bilhões) concentraram mais da metade (52%) do prejuízo nacional.

Forte redução também na força de trabalho

Dados de emprego do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que 397,1 mil postos formais de trabalho foram eliminados no setor, em 2020. Uma redução de 13% na força de trabalho. Os serviços de Bares e Restaurantes (–211,1 mil), transporte rodoviário (–90,7 mil) e hotéis e similares (–56,5 mil) foram os mais afetados.

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Por fim, “a lenta reação do nível de atividades dos serviços e as expectativas quanto ao desempenho da economia nos próximos trimestres, foram determinantes para a revisão da projeção da CNC”, de acordo com o presidente da Confederação, José Roberto Trados.

Confira a análise completa aqui: SERVIÇOS E TURISMO CONFIRMAM TOMBOS HISTÓRICOS EM 2020